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O nascimento da ópera

Além de Dante, Petrarca e Michelangelo, a Italia nos deu de presente a ópera. A arte mais sigificativa criada nestes ultimos séculos, conforme nos atesta a grande maioria dos musicólogos. Digo criada pois, diferentemente das outras artes, como a literatura, a música, a escultura e a pintura, a opera tem uma data certa de nascimento (pelo menos a nivel didatico, pois sabemos muito bem que quando uma inovação surge para a massa ha muito tempo ela está sendo elaborada). E este momento foi em 1594, na cidade de Florença, no Palazzo Pitti. O certo é que a partir de agora viria a se encerrar um grande e importante momento na música erudita italiana, pois a partir de agora as obras dos compositores Orlando di Lasso e Palestrina (artifices da musica polifônica) teriam de ceder lugar para esta nova arte que encantava os italianos de então: a ópera. O marco fundador deste novo gênero foi (e para dizer a verdade não poderia ser outro, haja vista ter esta obra um trabalho conceitual e estético totalmento inovador) a obra Dafne, da autoria de Rinuccini e Peri, que com o tempo veio a se perder a partitura desta grande e revolucionária obra. Mas seis anos depois, aparece outra obra da autoria única de Rinuccini, a opera Erídce, levada, com a ajuda de Peri e com a colaboração de Giulio Caccini, aos palcos operísticos italianos. Esta felizmente não se perdeu com o tempo. Interesante notarmos que o vocabulo “opera” não existia naquela época como entendemos hoje. O que se entendia por este gênero naquele tempo era o que eles chamavam de “melodrama” (deve-se notar, e é importante que o faça, que o que os italianos entendem por melodrama é totalmente diferente do Melodram alemão, já que este representa, dentro do que modernamente entendemos por ópera, a inserção de falas declamadas no meio da execução musical da ópera) . Monteverdi, um dos pais da ópera italiana e um de seus maiores artífices, por exemplo, aceitou que sua grande opera “Orfeu” fosse impressa sob a rubrica de “favola in musica“. Conforme podemos notar, tônica deste novo gênero sempre foi ser vinculado aos temas classicos, subentendido os assuntos mitológicos gregos. Mas um acontecimento interessante ocorre nesta suposta influência estética: os gregos não conheciam a ópera ou qualquer coisa parecida com este novo gênero musical italiano. A solução foi simples, mas um tanto quanto duvidosa, que foi a de filiar a ópera aos cantos fúnebres, ou mesmo a certos temas dramáticos que haviam no teatro grego, e até às peças introdutórias deste mesmo genero teatral. Nestes haviam a música e ao mesmo tempo falas sobrepostas à ela. Mas independente do que fossem estas influências (ou pseudo-influencias), ja era muito tarde para que fosse pensada em uma mudança drástica neste gênero. Diferente das obra simplismente musicais (instrumentais), a ópera alcançou um público muito maior dos que as outros gêneros musicais, tornando-a um estilo musical popular na Italia. Assim nasceu a ópera, um generro barroco, uma verdadeira pérola imperfeita, que não é musica, que não é teatro, que não é pantomima, mas que é tudo isso ao mesmo tempo. A proxima revolução no gênero se deu um pouco mais longe, alguns anos depois. Mas deste acontecimento falarei mais tarde.

"A sociedade aberta e seus inimigos"

A partir de hoje está inaugurada a seção de textos do blog Gazeta Cultural. Serão textos sobre diversos ramos do conhecimento, seja sobre artes seja sobre politica ou teorias por autores de grande reputação. Por serem textos de uma dimensão maior que o meu blog permite, pensei ser melhor a publicação detes textos em um outro blog. Assim, apenas publico aqui no Gazeta Cultural uma introdução, o nome do autor e o link para a leitura deste texto na sua ítegra.


Deste modo, hoje publico um texto introdutório ao grande livro “A sociedade aberta e seus inimigos“, do rande escritor liberal Sir Karl Popper. Em relação aos comentários, apenas este blog os aceita.

“Este livro esboça algumas das dificuldades enfrentadas pela nossa civilização, em sua busca da humanidade e da razoabilidade, da igualdade e da liberdade. Uma civilização que ainda não se recuperou de todo do choque inicial de seu nascimento – da transição da sociedade tribal, com sua submissão às forças mágicas, a sociedade fechada, para a sociedade aberta, que põe em liberdade as faculdades críticas do homem. O choque dessa transição é um dos fatores que possibilitaram o surgimento dos movimentos reacionários que tentaram, e ainda tentam, derrubar a civilização e retornar ao tribalismo. Este livro busca contribuir para que compreendamos o totalitarismo e a significação da permanente luta contra ele. Procura também examinar a aplicação dos métodos críticos e racionais da ciência aos problemas da sociedade democrática. Analisa os princípios da mecânica social gradual, em oposição à mecânica social utópica – a mais poderosa das quais é a que denomino historicismo.”

Para continuar a le-lo, clique aqui.

Exclusivo: Entrevista com Janer Cristaldo!

Janer Cristaldo é um dos poucos escritores no Brasil ainda preocupado com a democracia e com a liberdade, seja ela de expressão, seja ela de pensamento. Enquanto sua geração, bem como as gerações posteriores, adotaram um pensamento único que tende naturalmente ao autoritarismo, Janer, assim como Nietzsche, adota uma postura diferente, parecendo ser um extemporâneo aos olhos daqueles que não conhecem seu trabalho de escritor e tradutor. Janer, antes de tudo, é um libertário. Como lemos nos seus vários livros de crônicas, este intelectual sempre foi comprometido com aquilo que o ocidente tem de mais valioso: a liberdade, a democracia e a razão. Nessa entrevista gentilmente cedida para o blog Gazeta Cultural, o intelectual esclarece alguns pontos importantes de suas idéias, e nos revela também qual a sua visão sobre o atual estágio da Europa, e quais os rumos que esta pode ter nos próximos anos: uma teocracia ou uma democracia. Como sempre, a escolha de que lado lutar é nossa.

GC- Janer, a maioria de seus artigos sempre são feitos em um tom confessional, de memórias vividas e experiências próprias. Acredita ser fundamental ao escritor a vivencia, a maturidade, ou a leitura de dezenas de livros mesmo basta para escrever um bom texto?

JC- Guilherme, não vejo muita diferença entre memórias vividas e experiências próprias. Estas experiências são tão fundamentais ao escritor quanto as leituras. Eu diria que um escritor se nutre de leituras, memória e viagens. Pessoalmente, me agrada muito falar de viagens, pois para um bom observador mesmo a pior das viagens é aprendizado. Eu fiz belas viagens e viagens muito desagradáveis. Estas, por países socialistas ou muçulmanos, foram talvez as que mais me ensinaram.

GC- Janer, em suas viagens pela Europa, o que tem notado de diferente em relação à literatura de cada país? Acha que os escritores estão se tornando cada vez mais iguais, repetitivos, ou está surgindo uma nova literatura em cada país, com seus temas próprios, suas realidades próprias, como ocorreu no movimento romântico?

JC- Guilherme, quando falas literatura, suponho que queiras dizer ficção. Bom, eu não leio ficção há uns bons 20 anos. Ou talvez mais. Cansei. Me cansa ver o autor se esforçar para dar coerência a histórias inventadas, quando a realidade é muito mais rica. Quando um autor conseguiria imaginar as trajetórias de grandes assassinos como Mao, Hitler, Stalin, Pol Pot? Nunca. Eu curti ficção por muito tempo, mas hoje a considero muito pobre. Então, não saberia te falar das tendências literárias de cada país. Em minhas últimas viagens, tenho comprado principalmente ensaios históricos, e a França é excelente neste gênero, particularmente no que diz respeito à história das religiões.Há obras históricas fundamentais publicadas na França, Itália e Espanha que não chegam até nós. Só um exemplo: os últimos livros de Oriana Fallaci. Vendem como pão quente na Europa e nenhum editor brasileiro ousou traduzi-los. Ou seja, nossos editores já se renderam ao politicamente correto. Se os escritores estão se tornando mais repetitivos? Fora os autores de bestsellers, diria que não. Todo autor insiste em ser original. Mas os temas se esgotam.

GC- Janer, mudando um pouco de assunto, e saindo do campo da literatura, um tema sempre recorrente nas suas crônicas parece ser o da democracia e da liberdade. Com acredita estar caminhando a democracia no Brasil e na Europa? Em relação ao Brasil, o que impede o avanço do liberalismo e da queda do paternalismo e da burocracia? E em relação à Europa, o que está significando a morte de Oriana Fallaci, intelectual tão recorrente em seus textos?

JC- Na Europa, as instituições democráticas vêm sendo minadas pelo avanço do islamismo. Os muçulmanos estão tentando introduzir suas próprias leis no continente europeu, leis oriundas de Estados teocráticos e sempre conflitantes com as de um país laico. Os imãs advogam um casamento segundo a legislação muçulmana – oficiado por eles, é claro – insistem em praticar a ablação do clitóris e a infibulação da vagina, querem impor seus dias de festa no decorrer da semana de trabalho, pretendem que suas mulheres possam tirar fotos com véus para documentos de identidade. Há sinais em vários países que a Europa tende a ceder a estas exigências. Se isto acontecer, será o fim de uma cultura superior. No Brasil, a grande ameaça é o PT. O PT tem suas origens no marxismo e ainda não abandonou seus reflexos condicionados. Os petistas há horas vêm tentando acabar com a liberdade de imprensa, e sem liberdade de imprensa a democracia afunda. Quanto ao MST, no que dependesse destes celerados, já teríamos paredões no país para quem quer que pense diferente.

JC- Janer, acredita que o avanço antidemocrático islâmico na Europa pode significar uma nova Cruzada, mas agora não mais no campo religioso, mas sim no campo da idéias (e quem sabe belicamente) entre a democracia contra o totalitarismo, da razão contra a intolerância?

JC- Guilherme, o islamismo é totalmente incompatível com o Ocidente. No Ocidente, há muito a Igreja separou-se do Estado. Nos países islâmicos, domina o Estado. A luta entre Islã e Ocidente existe há muito e agora se manifesta com mais intensidade em função do aumento do número de imigrantes árabes e africanos na Europa. Hoje, por exemplo, estamos no segundo ano de depredações em massa em Paris, Marselha e outras cidades. (As depredações menores, ocasionais, acontecem desde há muito). Os descendentes de imigrantes descobriram sua força e é claro que este vandalismo, daqui pra frente, vai se repetir todos os anos na França. Mais ainda, vai se espalhar pelas demais capitais européias.

GC-Janer, outro tema sempre presente nas suas crônicas é deus. Qual a diferença do tratamento dado ao ateu na Europa e o tratamento dado ao ateu no Brasil? Existe uma diferença, se assim posso me expressar, no espírito europeu (racional, iluminista, que sentiu na pele o drama da libertação intelectual) e do brasileiro, de formação altamente religiosa, que trata toda polêmica pelo viés religioso?

JC- Guilherme, não saberia responder. Nunca pesquisei isso. Sou ateu, mas não militante. Desconheço associações atéias, não tenho contato com nenhum movimento neste sentido. Ateu que se associa a outros para lutar contra Deus, no fundo está louco para acreditar em Deus. Pelo que vi na Europa, os cristãos – ou melhor, os católicos – são minoritários. Igrejas e catedrais estão repletas de turistas. Os crentes, um grupo de gatos pingados, geralmente assiste missa em uma das capelas. Em Viena, por exemplo, onde são cantadas missas belíssimas, me parece que boa parte dos “fiéis” vai para curtir uma hora de boa música. Por outro lado, eu não diria que o brasileiro tem uma formação altamente religiosa. Diria, isto sim, que tem uma formação religiosa precária. Certa vez, em uma aula de 40 alunos, perguntei-lhes se eram católicos. Fora duas ou três exceções, todos se disseram católicos. Muito bem: então que significa a palavra “católico”? Ninguém sabia. Perguntei se seus pais eram católicos. Eram. Muito bem: então perguntem a eles o que significa a palavrinha. E me contem amanhã. Os alunos interrogaram seus pais. Nenhum sabia o que significava.É muito difícil encontrar, entre nós, um católico que tenha uma idéia precisa de sua fé. Por exemplo, um católico não pode negar os dogmas da Igreja. Diga a um deles que, ao comungar, ele não está comendo pão, muito menos um símbolo do corpo de Cristo, mas sim a própria carne do Cristo. Ele vai achar que você pirou. No entanto, é isto mesmo. Pelo dogma da transubstanciação da carne, o que se come é carne mesmo. Ao beber o vinho consagrado, está se bebendo o sangue de Cristo, e não um símbolo do sangue de Cristo. A quase totalidade dos católicos desconhece isto. E, se disto tomar conhecimento, não acredita.Eu suponho que se um candidato à Presidência da República se declara ateu na Europa, isto em nada influiria em sua votação. Aqui no Brasil, político algum ousaria se dizer ateu.

CG- Realmente Janer, você está coberto de razão. Muito obrigado por nos conceder esta entrevista e aceitar o nosso convite para esta entrevista. Muito obrigado.

Para se compreender a verdadeira história

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Para se compreeder o movimento nacional-socialista deve-se ler esta obra de William L. Shirer, “Ascensão e queda do III Reich” (Segundo seu site, Shirer é “one of the most recognized U.S. Americans to visit Nazi Germany, William Shirer perhaps shed more light on the events that led to Hitler’s ascendancy and German involvement in World War II than anyone else from the United States). Ao todo são quatro volumes de razoável tamanho, com cerca de 500 páginas cada um deles, que lemos ao sabor de um belo romance. Esta obra não se trata unicamente de relatos, conforme notamos atualmente na maioria dos livros de história moderna, mas uma verdadeira análise minuciosa de todo o período que antecedeu o nazismo antes de 1933, quando este ascendeu ao poder. É interessante notar nesta obra os aspectos filosóficos qe orientavam o nazismo, a gênese das suas teorias, e o principal, como ele se tornou um dos maiores movimentos políticos do seculo XX, juntamente com seu irmão gêmeo, o comunismo marxista leninista. Entretanto, o livro tem um falha, pelo menos para mim, que é a de não analisar o nascimento do nazismo pelo viés econômico. O livro se restringe apenas à história e à filosofia, juntamente com a biografia dos principais dirigentes do NSDAP. O que, diga-se de pessagem, não é pouco. Eu não tenho conhecimentos profundos do que pensava o escritor W.L. Shirer sobre economia, haja vista esta obra ser surpreendentemente imparcial. Mas não tenho tantas duvidas de que não cairia nas teorias imperialistas de Rosa Luxemburgo, coisa na época mais do que normal. Entretanto, é importante dizer que é totalmente mentira a teoria de expansão de mercados elaborada pela escritora marxista alemã. Uma analise básica do funcionamento da teoria de livre mercado faz desabar a teoria de Luxemburgo. Entretanto, não nos desapontemos. Quanto ao nacional-socialismo no plano econômico, recomendo que seja lido “Omnipotent Government:The Rise of the Total State and Total War“, que o Mises Institute disponibilizou faz pouco tempo. Vale a pena ler. A leitura deste livro faz desaparecer rapidamente a visão daqueles que imaginam ser o nazismo um movimento reacionário de direita e que foi financiado pelos grandes e exploradoes capitalistas. Este problema, como alerta Mises, tem antecedentes bem longos, que serão analisados, quem sabe, em um futturo próximo.

Links diversos

Para quem gosta de música erudita este é o endereço. Aqui se pode achar centenas de rádios ao redor do mundo que tocam unicamente este grande gênero de música. Vale a pena conferir. São todos executados pelo media player.

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Foram disponibilizados na internet dezenas de infomações sobre o regime soviético até então desconhecidas. Clique aqui e confira esta novidade (Via Passado/Presente).

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